PORQUE NÃO PILATES ?
Porque não PILATES ?

“Porque é que eu deveria ir a uma aula que não tem música, que parece muito parada, em que as pessoas estão deitadas durante grande parte do tempo e em que o professor só fala?”

Boa pergunta, a que eu vou procurar responder nas próximas linhas.
O facto de a aula não ter música deve-se a um fator: a concentração máxima para que a nossa mente esteja completamente focada em ouvir as indicações do professor e executá-las através do nosso corpo com o maior rigor e controlo.
Quanto ao “facto” de ser muito parada, é só para quem passa e vê de fora. Há informações contínuas a serem passadas que visam organizar o corpo de modo a que seja possível retirar todo o sumo de cada respiração, postura e movimento. O número de repetições em cada exercício tende a ser reduzido para que cada pessoa possa fazê-lo activando o corpo, através da mente, a 100%.

Mas o que tem Pilates de especial?

Hoje em dia, está muito em voga o termo “core”. Joseph Pilates não utilizava esse termo, usava antes a noção de “power house” que, numa tradução livre, podemos referir como casa da força ou do poder. A introdução deste conceito no contexto do fitness em geral provém em larga medida do método Pilates, uma vez que é uma das traves mestras do método e indissociável da aula. Sem querer maçar-vos com teoria e linguagem técnica, considera-se que o “core” ou “power house” pode ser dividido em unidade interna, constituída pelos músculos transverso e multífidus e acessoriamente pelo diafragma e pelos músculos do soalho pélvico, formando o núcleo interno do nosso corpo cuja principal função é a sua estabilização. A unidade externa, composta por músculos mais superficiais, chamados mobilizadores, inclui os músculos reto abdominal, oblíquos e os eretores da espinha.
Um dos grandes avanços do método Pilates é a perspetiva da importância da ativação permanente da unidade interna de forma a poder estabilizar e dar suporte à ação da unidade externa, ou seja, a exigência de um estímulo permanente do núcleo interno do corpo para que os músculos externos, responsáveis pelo movimento, possam fazê-lo de uma forma saudável, funcional, do género “por trás de um grande homem está uma grande mulher” (a ordem pode ser invertida), conhecem a história? E este aspeto é fundamental, uma vez que, por influência de estilos de vida sedentários (passamos a maior parte do nosso dia parados, seja de pé ou sentados), incorretos e/ou insuficientes padrões de actividade física, a unidade interna está desligada, obrigando o resto do corpo a uma sobrecarga constante, com músculos e cadeias musculares que deviam contrair, fazer a sua função e relaxar logo de seguida, a funcionarem como estabilizadores (ou seja, “ligados” continuamente) e outros permanentemente inibidos da sua ação normal e natural, com todos os problemas que isso acarreta (contraturas, hérnias, más posturas, dor, problemas do trato urinário, etc.)
Espero não ter complicado em demasia com estes “pormenores”, mas parece-me importante divulgar uma mensagem; nós podemos tornar o nosso corpo mais inteligente, mais saudável e mais feliz.

Façam perguntas se tiverem dúvidas ou curiosidade em saber mais e apareçam nas aulas, porque a melhor explicação está lá. Afinal, porque não Pilates?

Professor Pedro Morais - FITNESS CLUB
Master de Pilates Tradicional